"Tudo é teu, que enuncias. Toda forma nasce uma segunda vez e torna infinitamente a nascer. O pó das coisas ainda é um nascer em que bailam mésons. E a palavra, um ser esquecido de quem o criou; flutua, reparte-se em signos para incluir-se no semblante do mundo. O nome é bem mais do que nome: o além-da-coisa, coisa livre de coisa, circulando. E a terra, palavra espacial, tatuada de sonhos, cálculos".

(Carlos Drummond de Andrade, Lição de coisas, Origem: A palavra e a terra, V - 1962)

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Então, São Paulo

Há sete anos apertava na bagagem sonhos, roupas e a vontade de conquistar asas. Queria me redescobrir e precisava partir. Precisava respirar novos ares, ver novas cores, buscar novos horizontes. Na ânsia de ganhar o mundo, colocava o pé na estrada. Deixei meu belo horizonte, entre lágrimas de medo e expectativas e saudades que sabia que ainda iriam doer. Havia em mim um grito mudo e o desejo de saber o que tinha além da Serra do Curral. Então, saí para viver a vida fora de tudo que eu conhecia tão bem. Partir, naquelas circunstâncias, não foi tão difícil, difícil foi deixar um tanto de mim que não coube na bagagem. No lugar do até logo, um adeus que me dói mais agora do que naquela despedida. Ah, como fazem falta pequenas coisas e grandes pessoas! Como faz falta se saber em casa, entre amigos e expressões familiares como uai, arreda, garrado, cadin.

Mas fato é que parti para uma vida nova, um novo jeito, uma nova possibilidade. Cheguei na noite mais fria daquele ano. Em mim, o frio vinha de dentro. Tive medo da cidade lá fora e todas as suas cores cinzas e seus prédios e carros e pessoas. Aliás, de algumas eu tenho até hoje. Com o tempo fui me acostumando, me ajeitando nos pequenos espaços e a nova rotina: SPTV, novo endereço, novo tempero, visões e valores dos mais variados.

Aos poucos, São Saulo se revelou pra mim, além dos cinzas. Fiz grandes descobertas, conheci pessoas incríveis e vivi momentos únicos. Muitas destas pessoas ficaram pelo caminho e eu descobri um novo jeito de sentir saudades. Ganhei novas janelas e perspectivas, tomei muitos tombos, levantei outras tantas vezes. Descobri que sou sempre e a qualquer tempo, movida pelo desejo de ser feliz.

Envelheci além dos sete anos, na cara, na coragem, nas porradas e nas decepções. Às vezes ainda acho que a cidade anda muito depressa, ou às vezes, eu preciso ser muito rápida. Mas é no meu ritmo particular que vou me adaptando, mudando, andando, sem nunca parar. Ainda há muito para descobrir e me revelar além das montanhas que, agora eu entendo, não limitavam, mas sempre me impulsionaram a voar.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Mais de mim

Todo dia a gente muda. Permanece igual. Nunca fui bem-comportada. Educada, sim, quase sempre. Atrapalhada, desengonçada, pés pelas mãos. Nunca tive vocação pra santinha. Cabeça dura, coração mole. Não sirvo pra viver aos poucos, não gosto de copos meio vazios e estou sempre meio cheia de mim.

Sou exagerada em todas as coisas. Como Cazuza, adoro amores inventados. Gosto mais ainda dos realizados. Tenho propensão ao drama e uma habilidade incrível de acreditar contra todas as circunstâncias. Às vezes, dá. Se não, mudo a direção. Não gosto de linhas retas e desejo as curvas da estrada. O imprevisível, improvável, o discutível, o relativo, o que está fora do alcance de quem vê.
Esgoto todas as possibilidades, vou até a última gota. Transbordo, faço tempestade em copo d’água. Pinto arco-íris e desenhos sóis, quando me convêm. Tenho aversão a meios-termos e mais ou menos. Quero por inteiro, grandes goles, ainda que nos pequenos detalhes...

Estes pequenos detalhes são o que traduzem o que a vida tem de mais puro, cru e belo. E eu quero. Rir com o corpo inteiro, chorar com a alma, provar com o corpo, gargalhar com os olhos. Alegrias explosivas, tristezas verdadeiras, cicatrizes, tatuagem. Força e fé. Vida. Por todos os poros, por todos os lados, nos labirintos infindáveis de mim. Excessos, progressos, metáforas, pretéritos perfeitos em cada um dos meus defeitos.

Sou quase uma balzaquiana, mas ainda me sinto como uma menina de cabelos cacheados e dentes separados. Ainda me surpreendo e me permito aprender. Estou envelhecendo ao contrário. Não tenho pressa em crescer e não quero perder tempo com grandes quantias ou aquisições. Não quero uma vida-padrão. Há mais lá fora e aqui dentro.
Passeio por dentro e por fora de mim, entro e saio do meu mapa e me acho de formas variadas e profundas. Descubro carências insolúveis, silêncios insuperáveis, dúvidas inexplicáveis. Novos contextos, preferências e referências. Sou mais de dentro pra fora, perdida em mim. Sou meu inferno e minha paz.

Quero me descascar até a fratura exposta d’alma, me revelar em nuances descuidadas, pistas inusitadas e passos trôpegos. Não vim ao mundo embalada a vácuo. Me gasto e não me acabo. Há muitas formas de vida dentro de mim.

Sou feita de gente, de doses cavalares de desejo e subentendidos. De prazer, de pele osso e alta voltagem. Não sou quadrada e posso estar redondamente engana de pensar assim.  Gosto de olhares eletrizantes e palavras inteiras. Eu acredito em profundidades, encaro meus abismos e pago o preço. Quero além das definições, ultrapassar o entendimento.

Sou urgente, feita de muitos ontens, mas sou para agora e não tenho pressa de chegar ao fim.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Da sorte de um amor tranquilo...

Quando você chegou, eu duvidei da sorte. Busquei desculpas, pedras no sapato, sujeira debaixo do seu tapete. Procurei o controverso das suas palavras e a mentira nos seus olhos. Você me estendeu a sua verdade e, de mãos limpas, me convidou para desbravar o desconhecido desta nova chance. Sua e minha, eu entendi depois.

Te apresentei meu mundo e a minha confusão de sentimentos, esperei sua fuga. Mas você ficou. Suspenso, sereno. Não me prometeu universos, nem galáxias ou infinitos particulares. Não me prometeu nada além da verdade transbordante dos seus olhos e presente em todos os seus gestos.

Te falei dos meus traumas, das minhas cicatrizes e do meu medo. Você me falou da sua imperfeição, dos seus defeitos e do seu medo, tão meus.


Entre o seu tropeço e a minha desilusão, nos amamos. Mesmo antes de saber que era amor, nos amamos. Sem nome, sem endereço e nem promessas. Os amanhãs vieram, as histórias se sucederam, os caminhos se entrelaçaram.

Mudei a direção dos meus passos para seguir pela sua estrada. Trilhamos um novo caminho. Nunca mais nos perdemos... Nunca mais duvidei da minha sorte.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Apesar de

Minhas lágrimas se tornaram mais difíceis, minhas decisões mais firmes. Depois de muitos tombos e unhas roídas, aprendi a aceitar que tudo tem um tempo certo, ainda que, na maioria das vezes não seja o meu tempo. Aprendi que, entre os quases e os nãos, surgem novas possibilidades e novas estradas. Descobri em mim a capacidade de fabricar novos sonhos diante do improvável. Deixo que minhas certezas escorram por entre as mãos que, livres, serão capazes de agarrar novos projetos. De factível, de concreto, só as relações verdadeiras que construí e construo enquanto sigo por entre as curvas e desvios do destino. Talvez, seja esta certeza, cada vez mais sólida, das pessoas que me cercam e a quem dedico meu amor, que me encorajem a seguir, sempre. Rompendo pontes, barreiras, fronteiras, horizontes. Tomando muitos tombos, colecionando decepções e muitos arranhões, sobrevivo e continuo customizando sonhos para as realidades que se abrem a minha frente. A paz nasce de dentro, mas vem das energias que recebo, positividades e das vibrações de um universo paralelo, conspirando a nosso favor.  Se não foi agora, não significa que não será. Na desordem dos fatos e no caos do mundo, aceito a soberania do tempo, permito-me algumas lágrimas de frustração, mas me esforço para fazer nascer um novo sorriso.. Por tudo e por todos que me trouxeram até aqui e fazem de mim o que sou, uma mulher movida de esperanças, apesar de.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Duas vidas a um... uma vida a dois...

Nossa história se confunde, se mistura e se entrelaça por entre costuras de dias feitos por nós dois, de nós dois. Numa colcha de retalhos de dias, horas e milhares de dezenas de momentos feitos de guardar, tecemos o nosso tempo, a nossa vida. Lugares, palavras, causos, amassos, brigas, reconciliações, comidinhas e bebidinhas, Rock com ou sem roll, cobertores e amanhãs... Tudo feito de nós mesmos, um no outro, o outro no um, os dois em um só. São dias que não contamos, horas que se esvaem sorrateiras, despedidas e chegadas. Saldo positivo, no balanço de nós dois. No ritmo manso com que nossa vida fluí, contra todas evidências em um descuido do destino.

São anos de cumplicidade e de amadurecimento, de recomeços, mesmo no contexto infinito de nós dois. No tempo sempre incerto das nossas urgências, o destino se curva sob nossos pés, trazendo, no seu tempo, partes de um futuro de sonhos que nos empenhamos em realizar.

Vivemos juntos os melhores e os piores dias, fatalmente. Nos expomos ao máximo diante do espelho feito de olhos que engolem e devoram nossa essência, lembrando a nos mesmo o que temos de melhor... Este olhar de paixão, de fé, de amor e de cumplicidade que lançamos um ao outro nos resgata dos desvios, das culpas e nos faz querer sermos sempre melhores pra retina de quem vê.

Nos vemos nus e despidos de todos os preconceitos, expostos a todos os medos e diante de todas as falhas. Ainda assim, nos amamos. Diante de tudo, nos amamos ainda mais. Vivemos juntos, todos os dias, pro bem e pro mal. Sob o mesmo teto, dezenas de segredos muito nossos, gargalhadas compartilhadas, fracassos divididos e sucessos multiplicados e por, isso, sempre maiores.

É uma vida. É a nossa história. Minha. Sua. Duas, sendo uma, num universo paralelo perdido na imensidão de amar...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Um pequeno grande passo

Acreditando no futuro, acreditando em tempos em que colheremos novos sonhos e teremos outros planos. Acreditando no amor que nos une, na história que nos conduz, no sons que nos embalam e nos abraços nos abrigam... Acreditando mais nos dias de sóis, acreditando ainda mais em nós. Desenhamos a mesma rota, tropeçamos nas mesmas pedras e seguimos pela mesma estrada. Chegamos a mais um sonho, em um pequeno grande passo. Um novo endereço, novas cores para as paredes, mais concretude para nossa realidade. Sonhar e realizar, sorte a minha de poder me perder nas estradas que me trouxeram até você.

terça-feira, 17 de abril de 2012

"Entre automóveis, ruas e avenidas"

























Estou reativando minhas palavras. Ou pelo menos tentando. Em algum momento, senti falta das minhas mal traçadas linhas, do meu vômito frenético de palavras e silêncios. Em algum momento viver virou urgência e a falta de tempo desculpa para não pensar nos meus medos, meus grilos e estimular meus sonhos gestados nas palavras. Escrever ficou mais difícil, como me entender também. Tenho várias camadas, várias vidas, vários mundos perdidos dentro de mim. Talvez, as palavras me ajudem a organizá-los e a me reinventar sem deixar de ser o que sou. Porque sou ainda uma menina assusta diante de um mundo enorme demais pra mim. Aqui, ali, meio assim, meio assado. Ferida e fera, vida suspensa. Mudei meu rumo, mudei minhas certezas, mudei meu endereço... Mas busco minha essência... Perco-me entre automóveis, carros, ruas e avenidas e milhões de buzinas sem cessar. Mas, sem Toquinho e Vinícius a brincadeira perde a sua maravilhada, mas ainda assim, eu fico a girar... Em uma órbita sem lógica, engolida pela rotina dos dias presentes na convicção de que o futuro está prestes a começar. Mas há dias em que falta o amanhã e nem sempre é fácil perseverar. São fragmentos de vida, sonhos, decepções, desilusões, adaptações, reinvenções. Sobrevivo e persigo o arco-íris. Espero um pouco mais de sobrevida afinal...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Breve desabafo

Não sou covarde. Nunca fui. Não sou de mentira. Nunca fui. Talvez eu não saiba jogar o jogo, dançar conforme a música ou me deixar levar pela maré. Talvez essas não sejam as minhas melhores características, mas, sem dúvida, são as que me mais me orgulho.

Se eu faço, é porque acredito. Se eu choro, é porque sinto. Se eu sorrio, é porque estou feliz. Talvez não sirva pra este espaço, talvez não sirva pra essa gente, que, sinceramente, também não serve pra mim.

Comigo é sempre oito ou oitenta, tudo ou nada. Doa a quem doer, ainda que seja em mim. Não sei ser pela metade, não sei fazer de conta, não sei fingir, não sei mentir. Nem quero. Ainda prefiro ter orgulho de mim.

Prefiro a língua afiada, a verdade nua e crua, a navalha na carne. Tenhos meus valores e eles valem mais pra mim. Sou cabeça-dura, irremediavelmente. Sou inteira, intensamente.

Eu me posiciono, arrisco e esgoto as possibilidades até o fim. Tem me custado caro, tem me frustrado, tem me matado, tem me ferido, tem me doído, mas tem de ser assim. No final, vale a pena, pelo menos, acreditar em mim e em tudo (e todos) que me trouxe até aqui.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sem fim

Queria era ser tempestade... queria bagunçar idéias, abalar certezas, expor fraquezas... queria ser o lampejo de lucidez... queria era ser loucura... invadir pensamentos, brincar com a sanidade, chegar ao limite e explodir irracional e linda diante de uma linha da cor do sol... queria era ser a mentira, o esconderijo, o porto-seguro, o segredo... queria ser o vício incorrigível, o mal que não se corta pela raiz, o remédio e a cura... queria era ser a falta de moral, a falta de princípios, a falta de limites e todo o desejo... queria ser a única saída e a última esperança, ou mesmo só mais uma dança. Queria ser o tapa na cara, a pedra no sapato, o espinho sob a pele, a cicatriz que nunca se fecha. Queria ser o violino invadindo a melodia, o passo fora de compasso, o desvio do caminho. Queria ser a causa da insônia, o agora, a possibilidade, o tangível e palpável. Queria era ser o presente, o improvável. Queria era ser a história, o princípio e o único fim. Queria não ter isto de querer o que me falta, ainda que me exceda, neste querer sem fim.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Da vida que a gente leva...


...construi um mundo inteiro pra você acreditar... mas não me convenci...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Da nossa sorte

Enquanto uma joaninha pousa em nossa cama na manhã de um sábado nublado, nasce em mim um sol capaz de derreter geleiras... Em dias assim eu compreendo e confirmo, mais uma vez, a força do que nos une e nos torna unicamente especiais... Juntos, nosso riso é fácil e tudo é mais poesia... A vida pode ser simples e, por isso mesmo, perfeita... A joaninha nos lembra a sorte que temos de nos amarmos...

No instante em que te olhei nos olhos, vi nascer em mim uma nova certeza. Dos meus passos, das minhas escolhas, das minhas decisões e atitudes. Seus olhos, puros e profundos, olhando fixos nos meus e o medo incrível de te perder, simplesmente, por duvidar da nossa sorte. Neste exato instante compreendi que não quero passos tortos, dúvidas velhas nem sombras de passado nessa história.

Então, eu decido encerrar a prestação de contas, coloco todas as cartas na mesa e decido seguir. Encerro a conta, pago o preço e vou pra onde o futuro nos levar. Não vou fazer do meu coração um relicário do passado. Não vou fantasiar o que poderia ter sido, simplesmente porque não foi. Quando vejo, diante de mim, dois olhos intensos, prontos para me lerem do princípio ao fim, eu me lanço sem dúvidas, sem perguntas e sem medo.

Vivo com toda a força esse sentimento ainda novo e já tão maduro. Pleno e inteiro, feito dessas duas metades. Seus olhos abrigam minhas respostas e, diante deles, me rendo a você. Compreendo que a vida continua e eu sou nova sendo sua. Cada vez mais feliz, neste nosso eterno começo de final feliz...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Meu presente feito de futuro

Não há que se preocupar. No baú só existem lembranças.... E eu não vivo delas... Palavras também envelhecem. O passado não volta e, se voltasse, eu não voltaria com ele. Porque, desde que você chegou, eu não sou mais a mesma... Você trouxe o meu novo contexto e eu não preciso mais esperar o final para ser feliz para sempre. Tudo se tornou perfeito. A perfeição não é aquela idealizada, mas a que nos dedicamos a alcançar todos os dias. Tudo isso foi antes de você chegar com sonhos e flores nas mãos. Toda a tristeza antecede este amor de plenitude, assim, como é o nosso. Tenho total consciência da intensidade e da maturidade com que nossa história se delineou. Você chegou na hora mais imprópria, me ajudou a colar os caquinhos do meu coração, que renasceu para amar cada pedaço seu. O que temos é feito de plenitude e eu quero mais e por toda a vida... Estamos no mesmo barco e eu não tenho medo de desbravar outros mundos ao seu lado. A vida é mais bonita com você. Acordar com a certeza de que temos um ao outro é o mesmo que respirar um ar renovado pela alegria de estarmos juntos para mais um dia. Sei que, mesmo nos dias cinzas haverá um pedacinho de azul no céu enquanto estivermos juntos. Te saber é não me perder. Você é meu porto-seguro, meu vento, minha loucura, minha vontade, meu desejo, meu amante, meu par. Ser sua pequena me faz grande. Ao seu lado aprendi a sentir gostos novos e a realizar sonhos... Nas nossas horas o tempo se perde entre nossos deleites... São dias imersos em felicidade, alegria, amor, emoções maravilhosas e muito, muito companheirismo. Nosso amor é feito de dedicação, respeito, lealdade, convivência, paciência; É feito de verdade. Nunca me canso das manhãs preguiçosas e quero sempre deitar-me no seu peito, sentir seu cheiro e ouvir seu silêncio. Vou continuar rindo com o sorriso abobalhado ao falar de nós, porque temos uma relação gostosa e transparente. Corro pros seus braços para dizer que te amo das nossas várias maneiras, até mesmo em silêncio, como você me ensinou. Estar ao seu lado é um privilégio. Você é cúmplice das minhas peripécias, dos meus sonhos mais loucos e das melhores histórias... Você é meu cúmplice no são e no ébrio e tudo o que eu experimentei foi tão somente para te trazer para mim, perfeito assim, como só nós dois poderíamos ser. Já me acostumei com seu café doce e seu rosto coberto antes de dormir. Sei que você não vai prestar atenção no que eu digo enquanto estiver vendo futebol e que, pela manhã, vez ou outra, você é um monstro. Mas, é, ainda assim, meu príncipe nada encantado e por isso tão meu. Te dei meu futuro e meus sonhos e também minha vida. Compartilhamos projetos e trabalhamos juntos para realizar. Você é um ser humano sobre humano! Carrega consigo caráter, brio, honestidade, doçura, hombridade, gostosura... Você chegou em minha vida para ficar e eu quero estar ao seu lado sempre. Amo, muito e mais...

É o que me interessa



Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem.

Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa.

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa.

A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Entre a gratidão e a impossibilidade

Queria era poder explicar esse mundo de coisas que cabem dentro de mim. Há um espaço muito grande entre o amor e a gratidão. Sinto os dois. De formas diferentes. Há em mim um amor ingrato e covarde. E grande. Muito grande. Grande em todas as dimensões, inclusive no silêncio e na solidão. Mas é um amor que eu não consigo deixar. Um amor feito de um tipo de angústia traduzida em uma esperança que me cumprimenta, mas que nunca sei se está chegando ou saindo. Sou sensível a este sentimento que, a contra-gosto da vontade, cresce na distância. Feito de grandes abismos, este é um amor costurado em impossibilidades e pelo qual já sofri e morri, diversas vezes. Asas sem poder voar. Quase sempre suicídio. Suicidas são loucos e idealistas... Há também uma grande gratidão travestida em amor. Construída de restos de sonhos, cacos e algumas lágrimas. Tornou-se algo forte e consistente, sem drama, sem senões, isso ou aquilo. Leve, me fez acreditar que tudo estava sob controle. Pura, me trouxe calma e segurança e calor para as noites frias. Sério e cúmplice. Verdadeiro, sim. Assim, por essas mãos humanas e acolhedoras, voltei à vida e entendi esse sentimento. Como ser indiferente à serenidade e à cumplicidade? Esse sentimento que tem um quê de incrível, doce, surpreendente e adorável... São sentimentos muito diferentes entre si. Um é feito de impossível, outro de realidade. Mas tão sedutores naquilo que se propõe, que me dividem. Se não fosse impossível, seria o que? Se não fosse real, seria o que? Há em mim amor... e eu preciso me encontrar no que eu sinto... Porque o vento bate na minha janela, abalando minhas certezas e revirando as raízes dos meus medos e eu não consigo, simplesmente, viver e sentir, assim, sem explicação.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Lá e cá


Então vem o silêncio. Abrupto. A tênue e fina linha, invisível e inatingível. Não há laços, traços, rastros, nem restos. Os cacos são cacos, o que foi não é. Não há nada. Só quem volta pode saber. E volta sempre, sempre com a esperança torta. De mais uma linha, uma letra, uma confissão de redenção. Algo para que o impossível seja só força de expressão. Mas, mais uma vez o lugar comum é lugar nenhum. Uma mentira sob um pseudônimo e a chave e o seu nome revelado. Encerra-se o diálogo de poucas palavras e voltam para as vidas comuns e o quase perto volta a ser sempre longe. Fica dentro, retido e contido tudo o que não pode vazar. Quase uma utopia. Há o medo de enlouquecer genuinamente e por uma causa perdida nessas inconstâncias e peças que prega o coração. Isto é o que não pode ser esquecido, marcado na pele e n’alma. Falta sempre um pedaço de algo palpável para que o delírio não seja só imaginação. O mar sem ondas não lambe a praia e todas as pegadas ficam. Tudo como está. Não sendo possível explicar sentimentos, as palavras perdem o dom de recriar. Ficam versos soltos, sem sentido, sem perfume ou flor. Somos velhos medrosos, presos a conceitos tortos e com visão cega falando de mundos que nunca vimos. Tudo como está. Lá e cá.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Recomendo: Drop Dead Diva

Depois de Friends, a primeira série que me deixou freneticamente apaixonada.

“Drop Dead Divaé o mais novo sucesso de Josh Berman, produtor executivo e roteirista de “CSI” e “Bones”. As investigações e os dramas policiais dão lugar a uma comédia muito bem escrita, que rompeu com os padrões de beleza graças ao talento e carisma de sua protagonista, a advogada Jane Bingum (Brooke Elliott).

Jane Bingum, uma advogada fora do peso e insegura, tem sua vida mudada quando o espírito da modelo Deb (Brooke D’Orsay), uma loira fútil e burra, acaba reencarnando em seu corpo.

Deb morre em um acidente de carro e quando chega ao céu descobre que está zerada: sem pecados ou boas ações. A modelo acaba apertando um botão que não devia no céu e vai parar no corpo de Jane, que estava na mesa de cirurgia, após levar um tiro dentro de seu escritório.

Com Jane sendo guiada pelo espírito de Deb, ela passa a se preocupar mais com a aparência, fazendo uma junção da sensibilidade (e um pouquinho de futilidade) da modelo com a inteligência da advogada".
(do site Contigo!)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Então, 2011

Janeiro. Uma nova e longa estrada se estende diante de meus pés. Pelo retrovisor, avisto o que foi ficando: os erros, as impossibilidades e todas as esperas... Tudo o que foi deixado no ano velho. Acelero para os próximos 365 dias, sem pressa. Sinto-me pronta para encarar o novo ano e trilhar de novo alguns caminhos já conhecidos e outros que se abrirão sob meus pés. Estou em paz. Uma paz, branca e de todas as cores.

Com um otimismo à flor da pele, sinto que nenhum mal pode me atingir. Estou vestida e armada com as armas de Jorge e os céus irradiam luz e boas vibrações. O ano novo se inicia com um quê de magia, um quê de possibilidade e de concretude e, extasiado, vislumbra tudo como se pela primeira vez, encontrando possibilidades e novidades em cada detalhe. Eu me renovo e vejo renascer em mim todas as esperanças já perdidas, todos os sorrisos já esquecidos, todos os sonhos já deixados.

Dentre as resoluções de ano novo, cuidar mais de mim, impulsionar o espírito e agraciar os olhos com lindas visões e novas paisagens. Viajar em boa companhia e desfrutar do amor aqui, ali ou em qualquer lugar. Quero a ansiedade que antecede as descobertas, deixando que o caminho me leve à novos banquetes de vento, resgatando, sempre e mais uma vez, a menina de dentes separados e cabelos encaracolados que vive perdida dentro de mim.

Que minha fé e minha força permitam que os desejos desse novo ano tomem conta do meu mundo interior e invadam todos os espaços, mantendo nossa casa e nossa vida iluminada até que o ano se renove em uma nova passagem. Paciência para compreender o que ainda é só sonho e persistência para realizar. Que consiga carregar sempre paz no coração e, quando não, que você me estenda os abraços e seu colo seja sempre meu abrigo.

Mais que receber, quero me doar em todas as pequenas coisas, em cada detalhe. Ser feliz de pés descalços, de um jeito simples e pleno. E que minha felicidade seja tão plena, tão honesta e tão sincera que não mais me comporte e transborde em uma grande onda, encharcando meus amigos, minha família, meu amor e meus amores.... diminuindo algumas distâncias, dividindo o que vier, sol ou chuva, e somando novas histórias... assim, construindo e desenhando este novo ano, feliz desde a sua concepção, desde o seu nascimento, desde o primeiro minuto e, espero, até o instante final, feliz.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Às vésperas dos meus 26 anos, uma reflexão...


"Se eu tenho dores musculares, é porque forcei os músculos por muitas vezes.
E se pra mim agora subir escadas é dificil,
é porque todas as noites eu subi para dormir ao lado de quem eu amo.
Eu tenho algumas rugas, sim, mas eu me deitei milhares de vezes sob o sol escandante.
Eu me olho no espelho e penso assim:
Eu bebi muito,
fumei muito,
vivi,
amei,
dancei,
cantei,
suei e transei o bastante pra viver uma vida muito feliz.
Envelhecer não é ruim,
envelhecer é pra quem merece"
(do filme: anjos do mar)



... e eu que sempre digo que não vou viver muito, por isso vivo muito...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ela quem me trouxe até aqui

Já não sou mais como a imagem ai do lado. Mas gosto da pureza da menina mulher, ou mulher menina, como preferir. Gosto da pureza que essa menina traz nos olhos, quase como uma esperança torta e sem futuro. Lembro bem dessas olheiras, dessa tristeza sobrepondo a alma, desse olhar quase suicida de tentar mais uma vez... Gosto da imagem dessa mulher, do seu jeito displicente, da maneira inconseqüente como o vento brinca com os seus cabelos e lhe provoca cócegas. Gosto da luz dessa menina... mesmo que minha imagem já não seja como esse ai do lado. De alguma forma, é essa imagem da menina que me resgata para renascer mulher.

902


Hoje fecho a porta e um ciclo. Entrego as chaves e digo adeus. Vou adiante, para uma nova vida na cidade cinza. Terá agora, pela primeira vez, um porto realmente seguro, um outro lugar para chamar de lar, o meu. Cores. O nosso infinito particular. Levarei comigo algumas saudades. Dos amigos circunstanciais, das boas risadas que demos, dos problemas que enfrentamos, dos nossos enfrentamentos, das nossas diferenças e dos nossos momentos de mais sincera confraternização... fizeram-se família de ocasião e dividimos muitas coisas e são dessas que sentirei saudade... levo apenas o que fizemos de bom, de coração, de verdade. Todo o resto fica, fica como etapa de aprendizado e de fortalecimento. Desejo que sinceramente que, aos apagar das luzes e ao fechar dessas portas, sejamos todos felizes e nos encontremos para reviver, tão somente, os bons momentos bons...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quando a vida inspira...

Desperto. Atrasada, mas na hora. Pronta para o meu final feliz. Final não, aliás. Desperto para o começo do nosso final feliz. Porque, ao final dessa novela, sairão de cena os palhaços, os vigaristas, os oportunistas... N o lugar do cenário apertado para tanta vida que brota de nós dois, haverá espaço para plantar e colher sonhos e ser feliz também de fora para dentro. Porque sustentar a felicidade não será mais um exercício contínuo de fé nos dias que virão.... Chegaram. Esses dias chegaram e, agora, a felicidade pode ser concreta e, arrisco dizer, absoluta. Os dias chegaram embalados para presente e as chaves estão em nossas mãos. Abriremos portas e novas possibilidades para uma vida feita a dois e costurada no desejo mais sincero de fazer e ser feliz. Nossa janela tem vista para milhares de perspectivas que, à noite, se fantasiam de estrelas para decorar nosso quintal. E tudo que eu te digo agora é vem... Vem que é hora de colher nossos sonhos e ser feliz do jeito mais simples e mais bobo, bem do jeito que a gente quis. Vem, vem que chegou o último capítulo dessa novela e é hora de ser feliz para sempre... Vem.. vem que a nossa vida ta começando em um novo cenário, em um novo contexto e o nosso amor se renova nessa vida nova.. Vem, que o futuro bate à nossa porta trazendo um presente de paz... Vem, porque estamos juntos e não há do que ter medo... Vem, que a nossa vida pode, enfim, ser vivida agora...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Momento


Sou invadida por uma onda de felicidade que antecede aos novos dias que virão... As chaves abrem portas e o nosso futuro e tudo volta a fazer sentido. A estrada se abre para nossos passos cansados, dando um novo fôlego na caminha rumo ao nosso início de final feliz. Suas mãos quase me alcançam e logo caminharemos juntos fisicamente. Nascem sorrisos guardados para o dia em que da esperança nasceria a concretude do nosso destino. Vão ficando para trás todos os medos, antes grandes e agora bobos, todas as aflições e as noites de solidão. Os projetos arquitetados ganham novas cores e podemos pensar nas paredes que serão testemunhas na nossa vida em comum. Ter você por perto, não ser mais sozinha, chegar ao final do dia e poder repousar nos seus braços, esquecendo dos desmandos do mundo, das horas difíceis... O sol nascerá no nosso quarto, na nossa vida... É leve e pleno, esse sentimento gostoso que ganha força aqui dentro e eu sei que não teremos mais o que temer. Estaremos juntos, lado a lado, dividindo o mesmo espaço, fazendo novos planos e colhendo os frutos desse longo inverno de um ano. As sementes germinam e anunciam que nossa primavera está próxima... Vou invadida por uma gratidão infinita, sinto o calor ganhando meu corpo, anunciando sua chega... Me sinto viva. Amanhace o nosso futuro...

domingo, 1 de agosto de 2010

um fim de semana

Um tempo rara mim. Unicamente. Tempo pra que eu sinta todas as minhas saudades e sofra por todas aquelas que me doem mais. Um tempo para relaxar, organizar as idéias e meus mundos, em cada um dos seus detalhes descuidados. Tempo para que eu volte nas horas, relembre histórias, crie outras, planeje o futuro e invente um final. Tempo para as minhas loucuras sãs, minhas músicas, meu tempero, minhas vontades apenas. Um tempo para não pensar em nada... Silêncio para as vozes que gritam dentro de mim. Para que eu possa acalmá-las e reencontrar meu ponto de equilíbrio. Um tempo para meu grande e imenso umbigo gordo e para os meus sonhos... um tempo para mim e minha solidão.

domingo, 25 de julho de 2010

Domingo


saudade...
Um nó na garganta após uma despedida indesejada.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Especial é você!!!

Datas comemorativas são ótimos pretextos para tornar especiais dias feitos para ser normais. Hoje, por exemplo, típica quinta-feira. Olho no final de semana e vontade imensa de pular a sexta para chegar o sábado, quando encontro seus braços e seu que a noite não será sozinha. Mas, hoje são 22. Assim, quero aproveitar mais um ano de vida sua, o quarto ao lado meu, para dizer o quanto sua existência me faz feliz, no balanço geral dos dias. Tenho ao meu lado um companheiro para tudo e para todas as horas, mesmo com a cabeça nas nuvens e momentos de distração tão divertidos quanto irritantes. A vida me permitiu cultivar um relacionamento com alguém com quem eu posso falar de tudo ou de coisa alguma. Mais que um flerte que virou namorado e chegou a noivo, você é um amigo, um cúmplice, um sócio nessa empreitada doida que é a vida. Juntos fazemos projetos, planos, arquitetamos sonhos e descobrimos um jeito menos difícil de encarar a rotina. Sei que temos a sorte de olhar pra trás e ver todas as histórias que já vivemos e isso me dá ainda mais vontade de pensar no amanhã e no que ainda temos pra viver... Eu me sinto realmente ligada a você, como se você sempre tivesse sido uma parte de mim que, por descuido, andava perdida por ai. E eu te amo mesmo e muito, porque, apesar de todas as dificuldades que estamos enfrentando, sempre prevaleceu a vontade de estarmos juntos. E eu te amo porque eu sei que você nunca vai me magoar por querer, porque você é genuinamente bom e honesto e realmente está ao meu lado para o que der e vier. Tudo isto me faz te amar ainda mais. Te amo porque te vejo crescendo, tendo mais consciência de si, se tornando mais determinado e aprendendo a fazer pequenos ajustes para que seja possível realizar grandes sonhos... No final das contas, especial não é o dia, mas você...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sobre a ansiedade e mim

Por definição a ansiedade é aquela sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, e a que se agregam fenômenos somáticos como taquicardia. Mas, preciso dizer que a ansiedade que vive dentro de mim não é feita de receio, é feita de uma vontade louca de devorar o mundo em uma bocada só, de uma só vez, e tentar saciar a fome de futuro que me habita. Ansiedade são as unhas roídas, as borboletas na barriga e as noites mal dormidas.... Ansiedade é o medo de não haver futuro, de morrer jovem demais, de viver muito tempo sem ter vivido, de passar da hora, de perder a razão, de apodrecer no pé. Ansiedade é o bichinho-carpinteiro que não me deixa quieta e vai me corroendo por dentro e quase sufocando a garganta. Ansiedade é o quase já ido, é o meio do caminho, o que fica entre o ontem e o amanhã em um hoje sempre mal-acabado. Ansiedade são as perguntas que não há como responder, as estradas pelas quais eu caminho sozinha, as folhas rabiscadas sem nenhum sentido que traduzem um emaranhado de sentimentos entre flores, casinhas e figuras abstratas. Ansiedade é a adolescente-rebelde-sem-causa que me coabita, cheia de sonhos, muitas idéias e pouca coragem. É a sombra sem sol. A rede sem peixe. Ansiedade é a erva-daninha que brota no jardim das transições. O que não me deixa acostumar com a casa e a rotina. Ansiedade é um buraco sem fundo, um beco sem saída, uma porta sem chave, uma casa sem janela, um mar quebrando em ondas fortes nos meus olhos e inundando minha paz... Ansiedade é uma lágrima seca e um olhar perdido. Ansiedade é a busca pelo caminho e, simultaneamente, o descaminho.

Sobre ontem

Do que me faltou no dia do amigo. Do que me faltam todos esses dias... Do é feita a minha saudade... Do que é parte de mim... Do que dá sentido à estrela de sete pontas... o meu amor por cada um de vocês...

terça-feira, 20 de julho de 2010

Velho ano novo velho

Em alguns momentos penso que o ano novo ainda não começou e já envelheceu precocemente. Os planos continuam sendo projetos e a vida ainda não amanheceu para o futuro. Tudo é ainda embrionário, tudo ainda é estágio inicial e não há nada que se possa fazer. Estou grávida de futuro em uma gestação de longos meses e o parto é ainda e sempre prematuro. Fico entre todas as coisas velhas e intocadas e vejo os sonhos amarelando na gaveta do tempo. São arquivados sem antes terem tido a chance de ganhar a realidade. Dão lugar a novos sonhos, adaptados para os dias que surgem em direções contrárias. De certa forma, algum conforto, pois ainda há a capacidade de sonhar. Aliás, essa oficina de sonhos tem trabalhado em sua máxima potência, buscando soluções e pequenas frestas por onde ainda possa entrar alguma esperança e um pouco de luz. Lido com o inesperado já com certa experiência, ainda que isto que continue me causando alguma frustração. Se por um lado sou feita de fé, por outro sou feita de carne e duros golpes de realidade. Deixo que o medo me visite e me conte histórias de uma vida medíocre que pode ser a minha. Travo uma batalha silenciosa e sem armas contra este destino. Me valho da certeza torta que a vida foi feita para ser mais, mesmo nas pequenices. O sonho de viver plenamente esbarra na falta de espaços e, quase que por descuido, eu duvido que possa trilhar um caminho diferente. Nasce, mais uma vez, o medo de passar os dias debruçada em esperanças tortas do que eu acredito que pode, ainda, um dia ser.. Nessa narrativa, desperdiço os dias de agora e lamento que o tempo passe tão depressa a despeito da necessidade de paciência e da urgência de um pouco mais de tempo. São dias que não voltarão, ainda que não tenham passado. São as páginas que se vestem de um branco oco, vestidas de camadas e camadas de sentimentos intensos e profundos, convivendo de forma pouco pacífica dentro de mim. Dia sim, dia não. De forma inventiva são criados novos passos no mesmo metro quadrado de uma vida limitada momentaneamente às incertezas de um futuro que se distancia do agora cada vez que penso que meus braços podem alcançá-lo... De tudo que há agora, só o desejo e o amor são perenes e dão sentido à jornada que nem bem começa e se interrompe sem que tenha, de fato, parado.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Movimento cíclico

Às vezes, a estrada parece não ser o caminho para todas as respostas. Às vezes, nem todas as respostas podem responder à pergunta. Às vezes, a pergunta é só um medo. Às vezes, o medo é maior que a gente. Às vezes, a gente tem fé. Às vezes, a fé pode ser insuficiente. Às vezes, o insuficiente é parte do vazio. Às vezes, o vazio é infinito. Às vezes, o infinito não tem explicação. Às vezes, a explicação não faz sentido. Às vezes, o sentido é só um pretexto. Às vezes, o pretexto esconde um desejo. Às vezes, o desejo é uma estrada...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Do tempo e da espera

A vida tem dado muitas voltas sem que eu saia do lugar. Enquanto o vento não assopra a meu favor, preparo a vela. Uma hora a maré sobe, elevando minhas expectativas. Noutra, é maré baixa e a amplitude do vazio se destaca. Uma hora, será a hora e, nesta hora, te amar não será tão difícil. Te amar não será sinônimo de esperas infinitas e ausências impostas à contra gosto do desejo. Falaremos novamente a mesma língua, enquanto o dia chegará ao fim em bons momentos de nós dois. Amar será um verbo conjugado no mesmo espaço de tempo e virá acompanhado de paz. Nos amaremos na mesma sala, dividiremos o mesmo ar e sua pele será meu cobertor. Neste tempo, será sempre primavera e brotarão flores no nosso jardim. Neste tempo, te amar não será tão difícil e virá com tantas abdicações expressas em explosões de saudade. Te amar será viver uma vida no plural. Te amar poderá ser um sentimento pleno, realizado, vivido e sacramentado....

terça-feira, 6 de julho de 2010

Overdose de mim

Nesses últimos dias tenho passado muito tempo em minha própria companhia. Jeito ameno de dizer que tenho estado sozinha como nunca. Crise de abstinência de pessoas queridas e rostos amigos regada a grandes goles de pequenas lágrimas. Me sobram rostos estranhos, vozes que não reconheço e frio, muito frio. Dentro e fora. Rodeada por paredes, sóbria, sã e consciente, tenho tido tempo de pensar. Penso demais. Logo vem uma overdose de mim mesma. Não me suporto mais. Sou intempestiva e tenho propensão a dramatizar, não nego. Mas, confesso que, até para mim, pessoa carente em sua essência, a solidão tem sido demais. E eu sofro, mesmo. Tenho medo de embrutecer, perder o tato com as pessoas e acostumar com o silêncio de mim mesma. Quando chega, enfim, o dia do encontro, não tarda a despedida, que desencadeia uma nova crise de abstinência de pessoas queridas e rostos amigos. Eu sinto falta de me sentir em casa, de me sentir feliz sem pressa de acabar, de desfrutar da vida de maneira despretensiosa e alheia aos ponteiros do relógio. Companheira de mim mesma, quero tapar o buraco deixado pela saudade e lidar bem com tudo isso. Mas, confesso, não sou boa ouvinte dos meus próprios conselhos. Assim, arrasto os dias até que eles virem noite, em uma sucessão de fatos pouco relevantes. Acordo. Morro de preguiça. Um banho. Trabalho. Almoço. Trabalho. Casa. Banho. TV. Comida para os peixes. Mais TV, um pouco de computador. E, enfim, sobramos o vazio e eu, então pensamos sobre o futuro. Em uma cama grande demais para mim, durmo sozinha. No escuro do quarto, penso que é mesmo muito injusta essa situação. Eu, um monte de amor pra dar e distâncias demais para transpor. Me resta acreditar no futuro, tudo que tenho nesse momento presente. E eu acredito... muito.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Quem é você? Trust me...

Pergunta:

pergunta: E ele....e Ele? Texto ótimo. Talvez pudesse mudar a perspectiva e reescreve-lo na visão do "Ele". Olhando de relance ele parece o vilão, mas nada na vida é gratuito, ninguém é furtivo, ausente por livre e espontanea vontade de ser........sempre existe o outro lado da moeda.
Se não conseguir usar a empatia, pode até usar a criatividade, mas que esse texto merece uma segunda versão isso "Ele" merece!

Resposta: E ele? Eu não sei, não pude ficar porque tive que viver outro final...

pergunta: Certa vez ouvi dizer que amar é uma forma inconsciente de narcisismo, ou coisa que o valha, ou seja, amar o outro é uma ponte para amarmos ainda mais a nós mesmos. Seu texto retira todo o egoismo da idéia anterior e eleva esse incompreendido sentimento ao status de possível, de realizavel. Não sou tão otimista assim, mas recordei-me de minha adolescencia viajando por essas idéias quando isso fazia algum sentido.

outra resposta: aprendi a ser mais otimista para poder sobreviver... por isso, acredito que o amor, para continuar justificando nossa existência, se adapta às condições adversas de pressão e temperatura...

agora, deixo a pergunta e a proposta:

Quem é você?

Sinta-se à vontade para discorrer sobre a versão dele... digamos que sua sensibilidade diante dos fatos lhe concede licença poética... trust me, baby...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Do que é real

Nosso amor é feito do realizável. Nosso amor, diferentemente dos sonhos em que sonhei amar, é feito de doses diárias de realidade e inundado de miúdos defeitos, desentendimentos, lágrimas e brigas de até nunca mais que terminam com paz selada nos ‘dedinhos’. Nosso amor é o amor realizado, no qual permeiam dúvidas, carências, saudades, problemas e medos, muitos medos. Nosso amor é dotado de imperfeição e é juntos que aprendemos a caminhar pela vida afora. Mas é entre tropeços e erros que nossas mãos sempre se estendem ao encontro umas das outras e seguem juntas, rumo ao nosso feliz para sempre que renasce em nós em todas as manhãs que se vestem de esperança. Nosso amor é real, imperfeito, torto, intenso, inteiro, verdadeiro, vivo, único. É também inabalável, porque é feito de nós mesmos, sinceros e plenos. Nosso amor não se esgota nas curvas do caminho, não se perde nas distâncias das estradas e não se acaba em um dia cinza. Nosso amor resiste às provas do tempo e segue em frente... Nosso amor é, tantas e tantas vezes, mais forte que nós mesmos e nossa pouca fé, e nos une, mesmo na urgência dos dias, nas intempéries do tempo e nas lágrimas nascidas em noites de solidão. Nosso amor, feito de horas, dias, meses e anos, é concreto, sólido e real. Feito do realizável, temperado com boas pitadas de sonho e o desejo de chegarmos juntos a qualquer final. Nossa história, não é um conto de fadas, você não é um príncipe encantado e eu não sou uma princesa. Somos de carne, osso e vivemos a vida real, amenizada no encontro de nós dois e na possibilidade de vivermos um amor de verdade, perfeito em cada um de seus defeitos.

sábado, 29 de maio de 2010

Do latim, Verdadeira*

Te devo um texto. Te devo alguma explicação. Te devo as palavras que embalaram sua história e reforçaram sua crença. Não, não te devo nada. Você é muito mais forte. Você tem muito mais fé. Você vive sem precisar de explicações. Seu texto é sua própria vida, intraduzível nas palavras já inventadas. Sua história, única e peculiar, é a exceção à regra, é a reticência no final da frase, um novo capítulo na próxima página. Seu amor é de entrega, sobrevive aos períodos de seca e floresce ainda mais vivo na próxima estação. Te admiro, mesmo que muitas vezes duvide de suas próprias razões, mas sua loucura é que me convence de que você está no caminho certo. O que de fato sei, é que o seu certo não é o meu, e que, cada uma a sua maneira, escolheu ser feliz nas suas possibilidades.

Temos, marcas pelo corpo, feridas cicatrizadas que contam segredos, contam nossa entrega, nossa crença, nossa capacidade infinita de amar, sem esperar nada em troca além de amor. Nesse ponto, nossas vidas são sempre se cruzar... Amamos de corpo e alma, com tudo o que temos, mesmo que seja quase nada. Amamos inconseqüentemente até que não haja mais portas, janelas ou frestas por onde possamos escoar todo esse amor. Amamos até o fim e mesmo depois dele. Aqui, novamente, a estrada se bifurca e seguimos por caminhos distintos, mas na bagagem carregamos todo esse amor que transborda e jorra e pula de todas as pontes e ganha sempre asas... Seguimos. Cada uma pelo seu próprio caminho... Sendo felizes. Cada uma à sua maneira, do que jeito que dá. Cada uma com seus próprios sonhos e sua maneira de deixar fluir o amor que nos alimenta e nos faz vivas. Nas curvas, nos admiramos mutuamente, pela coragem que tivemos em seguir, fazendo pontes impossíveis com o que tínhamos de melhor: nós mesmas.

*para Vera, com carinho

terça-feira, 25 de maio de 2010

porque existem pessoas que não devem ser amadas...

Chore querido, chore querido, chore querido
Amor, bem-vindo de volta ao lar

Eu sei que ela lhe disse,
Querido, eu sei que ela lhe disse que o amava
Muito mais do que eu amei,
Mas tudo o que eu sei é que ela lhe abandonou
E você jura que você simplesmente não sabe o porquê
Mas você sabe, querido, sempre
E sempre estarei por perto se você me quiser
Venha e chore, chore querido, chore querido, chore querido
Oh amor, bem-vindo de volta ao lar

Você não sabe, querido,
Ninguém vai amar você
Do jeito que eu tento?
Quem vai aceitar todo o seu sofrimento,
Querido, sua dor no coração, também?
E se você precisar de mim, você sabe
Que eu sempre estarei por perto se você algum dia precisar de mim
Venha e chore, chore querido, chore querido, chore querido
Oh, papai, como você sempre diz fazer

E quando você anda pelo mundo, querida,
Você disse que tentaria ver o fim da estrada,
Você deve descobrir depois que a estrada termina em Detroit,
Querido, a estrada também terminá em Katmandu
Você pode viajar ao redor do mundo
tentando encontrar algo a ver com a sua vida, querido,
Quando você só vai fazer uma coisa bem,
Você só vai fazer uma coisa bem para concluir nesse mundo, amor.
Você tem uma mulher esperando por você lá,
Tudo o que você sempre precisará fazer é ser um bom homem uma vez para uma mulher
E isso será o fim da trilha, querido.
Eu sei que você tem mais lágrimas para compartilhar, amor.
Então venha, venha, venha, venha, venha
E chore, chore querido, chore querido, chore querido

E se você alguma vez se sentir sozinho, querido,
Eu quero que você venha, venha para a mamãe agora,
E se você alguma vez quiser um pouco de amor feminino
Venha e baby baby baby baby baby agora
Chore querido, yeah

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Do desejo de ser feliz

A gente nasce é pra ser feliz. A gente nasce é pra correr atrás dos sonhos, pra voar alto, para ganhar o mundo. A gente foi feito de amor, com amor, com prazer, com sangue quente e com suor. É por amor que a gente deve viver até as últimas conseqüências. A gente nasce é pra ser feliz e a gente não deve tornar a felicidade algo difícil. Ser feliz pode ser fácil ou, pelo menos, não tão difícil quanto a gente pensa. A gente foi feito pra mudar de opinião, pra mudar de idéia, pra experimentar vidas novas e novas possibilidades. Vale pro corte de cabelo, pro decote mais ousado, pro esmalte mais forte, pro que a gente sente também. A gente foi feito é pra girar com o mundo, ver de perspectivas diferentes e estar onde nunca esteve.. A alma se alimenta de novas experiências e gosta de provar de todos os temperos. A gente não gasta, a gente não quebra, a gente não morre por viver. Ta, ok. A gente se cansa, a gente arrebenta a cara, mas a gente continua vivo e depois de um dia atrás do outro, depois das noites insones e das lágrimas sem fim, deve experimentar um novo jeito de sorrir, um novo jeito de vestir, um novo jeito de amar a gente mesmo. O final a gente já sabe como vai ser. Por isso que eu tenho acreditado que eu quero é viver muito, muito, até morrer. Vou levando a vida sem deixar que ela me leve completamente. Vou levando a vida, alternando lágrimas e sorrisos e buscando ser feliz, sem tantos medos, sem tantas obrigações, sem tantas satisfações, sem tanta culpa. Quero é ser feliz, mesmo nas minhas tristezas, porque vou estar tentando sempre. Não nasci pra ser reta e quero entrar em cada curva com novas esperanças. Vou estar pronta para o próximo passo, mesmo estando de olhos vendados, vou estar pronta para próxima dança e evitar pisar nos meus próprios pés. Nasci pra ser feliz e vou buscar minha felicidade, vivendo o que eu acredito, sendo fiel ao que eu sinto e me encantando com simples prazeres... Vou me descobrir pelo caminho, me reinventar quantas vezes for preciso. Porque hoje eu acordei disposta a ser feliz. Acordei achando a vida muito especial e muito boa para ser desperdiçada. Sem nenhum motivo especial além da vida...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Dos nossos caminhos

Quando todas as dores e dúvidas vão embora e você chega pela porta me trazendo o café eu entendo que a minha vida foi feita para ser vivida ao seu lado. Você chega e nascem sóis em mim e, tudo o que foi lágrima e medo perde o sentido. O tempo de espera fica pequeno e a vida pode ser, mais uma vez, feliz de um jeito simples, do nosso jeito. Quando meu abraço encontra a sua pele, tudo é paz e sonho e eu sou sua e te faço meu. Quando eu posso deitar a cabeça no seu peito e ouvir seu coração, tudo é música, tudo é ritmo. Quando você chega, as distâncias ficam poucas e nada mais importa, o mundo fica pequeno, as horas param e eu posso me render. As paredes do quarto se transformam em janelas e chegamos juntos até o céu. Quando você chega, toda a dor vai embora e as flores se abrem no meu jardim. Entendo que o meu caminho é feito para seus passos e a vida para que nos encontrássemos e eu sei, matematicamente, racionalmente, logicamente, instintivamente que não vamos nos perder. Porque você é meu carrapato e eu sua pequena e eu posso ver dentro dos seus olhos. Eu sei que você é a tampa da minha panela e eu sou o chinelo ‘véio’ pro seu pé cansado. Quando você vem, é dia de festa dos sentidos, é dia de comida com sabor, de sono cúmplice, de risadas fáceis, de viagens longas ou curtas, é dia de ser feliz em cada poro, em cada canto, em cada instante. Quando você vem e seus braços alcançam meus abraços eu sei que a vida pode e vai ser melhor, porque o mundo precisa ser melhor para o nosso amor... Quando você vem, eu mato minha sede, renovo minhas esperanças e te amo ainda mais... Quando você vai, são suas lembranças que ficam pela casa e por mim... É sua pele que fica impressa no meu corpo, é seu cheiro que fica no meu travesseiro, é você que fica em mim. Quando você vai, você fica, até a sua próxima volta, quando eu te amo ainda mais...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Prece ao nosso amor


A paixão tem que sobreviver ao amor sólido. Porque saber do amor não é o mesmo que sentir o amor. Somos feitos de sentimentos, de sangue quente correndo pelas veias e sonhos permeando a alma. Não nos percamos nas incertezas do futuro e façamos do presente o momento único e inexplorável. Nos permitamos o agora, porque são de agoras que nascem os amanhãs. Não nos escondamos nas distâncias para justificar ausências e na falta de tempo para explicar a falta de carinho e cuidado. Não nos deixemos para depois. Nos amemos com urgência, como se hoje fosse o único tempo possível para saciar todas as carências do corpo e da alma. Sejamos pacientes e tenhamos os ouvidos atentos aos sussurros dos medos que, mesmo bobos, nos impedem de caminhar. Tenhamos fé no que vivemos, no que poderemos viver e a consciência de que é preciso mais do que a certeza do amor para continuarmos a nossa jornada. Sejamos francos e sinceros, mesmo nos piores defeitos. Nos amemos nos piores defeitos e não façamos do abençoado corriqueiro. Entendamos a beleza do que nos une e saibamos que o milagre não vem de fora pra dentro. Ousemos dar sempre o primeiro passo para o encontro. Desafiemos nossas certezas para que possamos ver nossa história de um ângulo novo, de perspectivas inéditas. Saibamos que não somos perfeitos, mas tentemos ser melhores um para outro todos os dias. Estejamos realmente juntos, em sintonia, e saibamos respeitar as diferenças e os momentos de individualidade. Não nos afastemos tanto para que não percamos pelo caminho. Não nos percamos nos compromissos do dia e nas formalidades da rotina. Não nos deixemos de lado, para depois. Não nos apoiemos no amor para justificar as falhas, porque o amor não deve ser uma justificativa. Saibamos que o amor é a causa e, por ele, assumamos todas as conseqüências. Tenhamos criatividade para surpreender e encantar os olhos que são a boca da alma. Entendamos a diferença entra falar e conversar e realmente estejamos preocupados em ouvir. Ouçamos, mesmo as lamentações e os silêncios. Lutemos contra nossos fantasmas e sejamos os primeiros a defender a nossa história, até de nós mesmos. Lembremos de como éramos tristes e sozinhos antes do nosso encontro e tenhamos força para que nossos caminhos sigam por estradas felizes. Saibamos nos colocar no lugar do outro, sem que isso signifique perder a nossa identidade. Lembremos que nos apaixonamos pelo que éramos e demos as mãos pelo que poderíamos ser juntos. Tenhamos flores nas mãos para enfeitar o nosso jardim e amor o suficiente para chegar ao fim do inverno. Cresçamos na dificuldade e tenhamos coragem para admitir que também mudamos. Saibamos demonstrar nossos sentimentos para que nos sintamos sempre amados e desejados e, acima de tudo, seguros de nós mesmos. Estejamos lado a lado por opção e não por medo da solidão. Sejamos maduros para distinguir exageros e sentimentos verdadeiros. Não duvidemos dos sentimentos do outro. Acreditemos em nós mesmos, mesmo que isto signifique duvidar da nossa história. Sejamos limitados, humanos sem que isto nos torne mesquinhos e descrentes. Busquemos o que nos faça feliz, real e plenamente. Torçamos pela felicidade do outro e saibamos a hora de ser âncora e trampolim. Levemos planos adiante, tracemos metas e rotas para alcançar nossos objetivos. Respiremos amor e guardemos em nós a melhor imagem do outro para que ela nos acompanhe nas horas mais difíceis. Suportemos as tempestades para estarmos juntos quando o arco-íris colorir o céu. Que não nos falta vontade. Que saibamos envelher juntos e, mais ainda, que saibamos rejuvenecer juntos. Sejamos o arco-íris. Amém.

Aqui comigo


De certa forma, estou anestesiada. Penso que talvez seja muito tarde, mesmo que cedo, e o tempo parece correr contra mim. O quase nunca é, quase sempre, o sonho que escorre por entre os dedos da mão, pelos vãos que eu mesma criei com meus medos bobos e minhas dúvidas intermináveis. Estou viva e é assim que quero me sentir, mesmo nas minhas lágrimas feitas de espera por sorrisos e abraços. Não quero lamentar o que não vivi, mas, vez ou outra, voltam a mim os fantasmas da infância e eu não sei o que quero ser quando crescer. Cresci e isso dói muitas vezes. Talvez eu possa ser criança ainda mais uma vez. Ser leve sem nenhum peso e, ao avesso, ser pela primeira vez como se não houvesse antes do depois. Quero é o presente, viver o agora com toda a sua intensidade, mesmo que tudo seja tão confuso. Minhas pernas se embaraçam de um jeito sempre torto e passeiam desatentas por ai. Numa dessas esquinas de mim, em um emaranhado de todas as coisas e todas as faltas, talvez haja o encontro, ou quem sabe o descaminho, como um novo rumo até o próximo destino.

sábado, 10 de abril de 2010

Tempo de mudança



Tenho que retomar minha vida, eu sei. Estou velha e rabugenta num corpo ainda novo e jeito de vida. Estou descrente, em mim. Tenho que reencontrar em mim um dia que nasce com fé. Tenho que retomar meus projetos, reaver meus sonhos, reaver meus objetivos, saber para onde olhar ou, simplesmente, olhar, enxergar e ver. Isso já é um começo. A percepção . Despir-me da preguiça e indiferença dos dias cinzas e experimentar novas cores para os meus dias, que tem passado em tons pastéis. As pilhas de projetos se acumulam entre meus medos e minhas angústias. Olho tão na frente que tropeço no aqui e no agora. Não vou, nem fico. Passo, apática. Quero inspirar-me novamente e derramar palavras loucas, cheias da vida que pulsa em algum lugar de mim. Quero mudar meus hábitos, iniciar meus estudos, aproveitar melhor meu tempo enquanto espero pelos dias que virão, que vem a cada manhã e morrem escorridos pelas mãos frias. Quero eu ir até meus próximos dias, caminhando com meus próprios pés e por vontade própria. Quero ser minha própria dona e, sendo, fazer mais por mim. Quero limpar as prateleiras do desânimo e aproveitar melhor meu tempo livre. Recomeço uma nova tentativa de tirar de mim minha apatia e meus movimentos robóticos, sorrisos, inclusive. Quero estar em paz. Quero tentar ser feliz nos pequenos desafios diários, assumir comigo compromissos e encará-los até o fim. Não quero mais a sensação de impotência diante dos segundos que se transformam em minutos, horas, dias, meses, anos... quero, agora, o que quis ontem, mas quero co o poder do realizável. Quero poder realizar todos os projetos e vou começar pelos pequenos. Voltar a escrever; estudar. Vou precisar de ajuda. Vou precisar de muito de mim. Daquela que eu não reconheço no passar das horas corridas do dia que só quer chegar ao fim.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

2010 desejos






















(depois de tanto silêncio, um milhão de palavras... porque a cabeça e as idéias não param...)

Estréio 2010 completando bodas de prata de mim mesma e listando projetos e planos para um futuro que começa todas as manhãs. No balanço, vejo 2009 como um ano de amadurecimento, mesmo que à duras penas. Sofri muito. Chorei no escuro para não enxergar minhas lágrimas e não sentir pena de mim. Não tenho vocação pra coitada. Criei novas formas de sorrir acabei por descobri em mim uma incrível força para me adaptar às novas situações.

2009 foi um ano longo, onde me pari muitas vezes para ser minha melhor companhia. Na impotência da distância, tentei cuidar da estrada para que os caminhos estivessem sempre abertos ao que estivesse por vir. Acostumei a dormir embalada pelo balanço dos ônibus enquanto eles cortavam rodovias curtas demais para o desejo de estar perto e me sentir em casa. Chorei em cada despedida e tive medo de não poder voltar. Superei meus traumas e minhas dúvidas nos reencontros com as montanhas que abrigam meu belo horizonte de todas as coisas.

No último ano consegui costurar meu último pedaço despedaçado. As cicatrizes são pra lembrar do que passou. Faz parte da minha história e de mim. Me refiz inteira de coração e, assim, pude voltar a acreditar inteiramente no amor. Com segura de mim respondo por noiva do meu noivo, porque antes de tudo somos cúmplices de um mesmo plano e de um mesmo sentimento. Entendi que o amor pode, sim, chegar manso, sem avisos e sob qualquer pretexto. O amor pode sim, ser feito de dia-a-dia, toalha molhada, confiança e fé e recomeços imperiais.

O ano que chega não terá milagres, mas poderá ser de conquistas se houver coragem para recomeçar. Estou entrando de cabeça. Ainda preciso me reencontrar em todas as coisas que tenho dentro de mim, mas, aos poucos, o caos vai estabelecendo alguma ordem e, nas voltas do mundo, as peças começam a se encaixar. Em 2009, fechei um ciclo. Senti o peso de chegar a um quarto de século e, ao olhar pra dentro, descobri que os sonhos seguiram por outras realidades e me trouxeram onde não pensei estar, o que me leva a crer que viver pode ser ainda melhor que sonhar, como já bem sabia a Elis. Continuo sonhando. Não abro mão. Os sonhos alimentam a alma e posso dizer que a minha está provando de todos os gostos.

No campo profissional, me surpreendi sendo capaz de encarar desafios, e sigo aprendendo a me impor, sem invadir espaços. Consegui olhar para a metade cheia e mostrar mais de mim. Orgulho-me de ter conquistado meu lugar, o respeito de profissionais respeitados e, mais ainda, o carinho das trás desses profissionais. Entre almoços, rotinas, happy hours e compromissos descobri amigos e colegas sinceros, ricos em vidas das mais variadas possíveis. Enriqueci o intangível.

Orgulho-me, mais ainda de, sendo eu mesma, ter cativado as pessoas. Hoje, abre aspas, sou admirada pela minha autenticidade, pelo bom-humor, por ter sensibilidade de ouvir e conversar com todas as pessoas da mesma forma e, principalmente pela minha humildade, fecha aspas. Assim, descobri que minhas raízes estão mais firmes do nunca e isso me fez mais próxima de casa. Em um mundo de ternos, gravatas e restaurantes caros, mantive os pés do chão e o estilo vira-lata. Enfim descobri algumas cores para os cinzas de São Paulo! Vou ter do que sentir saudades... já sinto.

Para o novo ano, quero menos perfeccionismo, mas leveza, mais palavras escritas, mais fotos, muitas fotos dos muitos momentos vividos, mais vento nos cabelos, mais leitura, mais loucura, mais sobriedade, mais sol, mais saúde, mais consciência. Mais de mim, refletindo todos que trago comigo. Quero positividades e boas energias emanando do meu universo particular. Quero ser menos rígida comigo, porque estou ouvindo que sou melhor do que penso, mesmo que não tão boa quanto gostaria. Quero ainda me redescobrir em outras coisas, outros caminhos e outros lugares, para manter-me jovem, apesar do tempo. Quero estar onde não estive, chegar ao final de um jeito novo, ouvir novas músicas e conversar com o silêncio. Quero sentir mais cheiros, provar novos temperos, limpar o corpo dançando na chuva e me aquecer no colo do meu amado na hora de ser pequena. Quero também mais dinheiro para comprar o que pode ser comprado. Quero mais tempo, para viver o que é pra ser vivido. Mais sabedoria.

Quero enfrentar o meu destino de peito aberto, resgatando um pouco do fui e mostrando mais do que não deixo de ser.

Rir mais com meus amigos para que eles sintam o valor inestimável da nossa amizade. Estar cada vez mais próxima da minha mãe para que ela acredite na sua força e lute pela mulher que é. Buscar mais do homem que coabita meu pai para que tenhamos a oportunidade de aprender mais um com outro. Dizer mais eu te amo para meu irmão para que ele realmente sinta que estamos sempre juntos e que ele sempre é lembrado e que a maior saudade do mundo é de quando não gostávamos de estar perto porque não sabíamos o gosto forte da distância. (Inocentes). Aproveitar melhor meus erros, para que eles possam ser usados como pontes para que minha irmã vá mais longe e nunca duvide da sua própria beleza.

Conversar mais com meus tios, tias, primos e primas para que o tempo e os caminhos não nos afastem totalmente e não nos tornemos estranhos. Ter mais paciência, ser menos chata e não perder a leveza que me uniu ao meu amor, para que possamos ser livres sempre e estejamos juntos por opção e por prazer.

Quero um pouco de todas as coisas sem nunca me sentir satisfeita para que eu possa estar sempre me surpreendendo com o novo e com o velho. Quero ser feliz da maneira mais boba, mais simples, mais pura, mais plena, mais infantil...

A cada ano novo renascem em mim todas as esperanças de um mundo melhor, de pessoas melhores, de 'eus' melhores e eu quero um ano novo a cada dia, para que a minha fé não se esgote, para que eu não me canse, para que eu não desista.

Quero dizer o que já foi dito antes, de um jeito novo, sob uma nova perspectiva... quero viver bem mais que os meus vinte o poucos anos...

Amém.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

minha espera

Minha vida tem sido feita de momentos efêmeros de felicidade plena que me escorrem pelos dedos em sucessivas despedidas e eternas esperas... estou entre idas e vindas e quase chegadas... aguardo o meu feliz para sempre e o domingo em que não precisarei me colocar na estrada. Meu olhar traz sempre um sorriso triste de uma lembrança mais distante que meus braços conseguem alcançar. O meu mundo se faz quase primavera, flor em botão, e nunca chega o dia de florescer. Tenho tudo e, vez ou outra, no silêncio do meu quarto tão cheio de mim, parece quase nada. Sou, mais que nunca, o amanhã que nunca chega e a despedida que sempre atropela minhas vontades de estar, ficar mais um instante. Parar as horas, ou apressá-las, tanto faz. Quero mais desse instante, mais goles da minha felicidade compartilhada nos seus braços que chegam a se confundir com os meus num emaranhado de nós dois. Quero mais daquela semana, onde minha casa era também meu lar. Quero mais dos encontros com os meus, quero mais por todos os dias. Tenho tudo aqui comigo, mas há quilômetros de mim. É preciso ter fé. É preciso acreditar. Mas, quando tudo é só uma saudade, tudo o que falta é o abraço que meus braços não conseguem alcançar... Triste felicidade quando o dia termina em despedida.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Para minha irmã mais nova,

Ao te ver chegar aos dezenove tenho a constatação que seus pés ganharam o mundo. De certa forma isso me dói, porque significa que você cresceu e não caberá sempre no meu colo e eu não serei sempre perfeita aos seus olhos e eu não poderei te proteger sempre, mesmo que você não peça. Você deixou de ser menina para se transformar em uma mulher de fibra, sonhos, resistências e pensamentos só seus, alguns deles divisíveis comigo. De certa forma, isso me deixa orgulhosa, porque eu vi toda essa transformação, vi toda a metamorfose, li cada olhar, presenciei cada gesto e cada salto e vi seus pés ficarem cada vez maiores, suas pernas se encumpridecerem e caminharem por caminhos próprios, doa a quem doer. E doeu em mim, muitas e muitas vezes. Porque tantas vezes eu quis percorrer os seus caminhos para te resguardar. Tantas vezes quis te impor meus certos acima dos seus. Acho que, de certa forma, sou um pouco sua mãe (aliás,nossa), mesmo sem te parir. Mas agora, vendo a beleza dos seus passos, a beleza do caminho que você escolheu, conhecendo os seus certos, que tantas vezes pareceram errados pra mim, toda dor e todo medo deixam de existir para dar passagem à mulher que é você, minha menina de covinhas cativas e bochechas vermelhas. A mulher que ganhou a estrada, mantendo a alegria da menina no caminhar e, dessa forma, me levando sempre com ela e deixando você sempre comigo. Mais uma vez sou eu quem ganha o presente. Meu colo nem sempre é suficiente, mas é seu. Assim, passamos a ser cúmplices. Você contraria minhas certezas, mostrando o seu jeito de fazer. Discorda de mim, que enxerga todos os meus defeitos, até mesmo os menores, e, mesmo assim, é capaz de me amar. Assim, passamos a ser amigas. Alguém que eu não posso proteger sempre, mas que, mesmo assim, escolhe correr riscos ao meu lado. Assim, passamos a ser você e eu. Você, minha pututuzinha, será sempre minha melhor parte, aquilo que me move e que me motiva a ser melhor todos os dias para que eu possa continuar caminhando ao seu lado seja qual for o lugar que decidamos ir. Eu, sua irmã mais velha, talvez esteja realmente velha para tantas e tantas coisas, mas nunca para aprender com você. E, daqui onde te observo, mesmo que nem sempre te alcance, desejo apenas que a felicidade seja sempre sua amiga. Desejo que a felicidade lhe acorde todas as manhãs e lhe acompanhe mesmo durante o seu sono. Voe alto, voe longe, ganhe o mundo e, nunca, nunca, se perca de mim. Como? Já não preciso ser perfeita ou ter todas as respostas... Mas estarei ao seu lado em todas as suas tentativas, porque foi assim que escolhemos seguir. Te amo!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Meu belo horizonte

Então eu me encontro com todas as coisas que me fizeram eu. Nesse lugar, abençoado por Deus e pela minha própria história, posso me despedir de todas as armaduras e, ainda assim, continuar protegida. Foi dessa janela que projetei ganhar o mundo, ainda que não soubesse que precisaria me desprender da fachada rosa e do terreiro com o pé de maracujá. Ali, quando tudo ainda era construção, meus pés podiam ser sempre descalços e as noites, mesmo as mais escuras, ficavam sempre lá fora. Havia tempo para plantar, colher e, principalmente, degustar. Saborear a vida toda minha, feita por entre essas paredes limitadas pelo meu Belo Horizonte, infinito.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Das coisas que não mudam:

- só vou preferir não ter mais contato pelo menos por enquanto
- acho muito razão. É isso mesmo?
- huahauhauhaua... É amiga... É o meu jeito...
- exatamente. e isso me deixa tranqüila. Porque você sempre fica bem.
- hehehe não se preocupa, tá?
- isso não tem jeito.
- heheheh
- mas eu confio

Se ninguém entende do que falamos, basta dizer que existem coisas que o tempo não apaga e a distância não muda. A amizade, movida a razão e sensibilidade, é uma delas.

domingo, 27 de setembro de 2009

Em um 26 de setembro

Não será só uma aliança, porque não são apenas votos. Estamos trocando nossas vidas pra nos encontrarmos. São sonhos colhidos, novos sonhos plantados. É mais estrada que percorreremos de mãos dadas. Iremos para onde quisermos, sem nunca nos perdermos. De uma noite, um amante namorado, noivo e sempre cúmplice e ainda e para sempre meu. Mesmo sem saber o futuro, mesmo desconhecendo tudo, mesmo não sabendo o jeito certo de dizer as coisas, se confundindo com suas próprias pernas que caminham desajeitadas, mas sempre vindo ao meu encontro. E sim, eu aceito. Aceito dividir toda a minha vida, todos os meus planos, todos os meus sonhos. Sim, eu aceito. Aceito ser sua em todos os dias, em todas as noites e em todas as frestas. Eu aceito. Aceito ser feliz todos os dias, mesmo nos dias tristes. Mesmo sem saber do futuro, sabendo de nós dois e dos nossos momentos. Sabendo do seu gosto, da sua pele, do seu mau humor matinal, sua vontade de querer salvar o mundo, mesmo sabendo que você nunca vai romper os limites de velocidade, mesmo em todas as vezes que juramos nunca mais, em todos esses tempos, em todas essas vidas, eu sou, fui e serei sua. Obrigada por ter escolhido me amar. Obrigada meu noivo. O gingante dessa pequena. Te amo muito ou mais...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A volta

Sempre volto melhor. Mesmo com o coração estraçalhado pela saudade e batendo miudinho e apertado, eu sempre volto melhor. Lá está minha fonte de energia e vitalidade. Lá está toda minha motivação de querer ser cada vez melhor. Tenho mesmo os melhores amigos do mundo, que riem comigo os melhores sorrisos... são momentos muito nossos e muito únicos, onde tudo volta a ser o que era, mesmo que já possa ser mais. Somos novamente sonhos, jovens, loucos e inconseqüentes nos nossos porres de alegria, sem querer mal a ninguém. Somos simplesmente uma estrela que brilha e faz brilhar. Somos bons e velhos amigos e isso me faz melhor. Me fazem melhor também o colo da mãe e o abraço do pai, a cumplicidade da irmã que entra sem bater pra que a gente se veja logo e confirme que está tudo bem. A chegada da cunhada, que traz nos olhos um pouco do irmão que há tanto não vejo. Me faz melhor o ar da minha cidade, as ruas por onde eu andei, as esquinas que reconheço. A família que é minha, avó, avô, tios, tias, primos, primas, agregados. Uma desculpa qualquer para estarmos juntos num domingo. Todos juntos num domingo que começa com gosto de partida, mas, ainda assim, é deliciosamente único. Sempre volto melhor, porque volto com mais de vocês dentro de mim e as lágrimas são por não poder tê-los sempre ao meu redor.

domingo, 30 de agosto de 2009

No meu mundo

No meu mundo, o passado ainda é colorido e dá o tom para o presente. No meu mundo, o futuro são seus braços. No meu mundo, a manhã começa preguiçosa, sem pressa, e se estende mais um pouco no calor dos corpos. No meu mundo, as distâncias são menores e transponíveis. No meu mundo, o riso é fácil. No meu mundo, as doses são porções de vida nova e cada gole é um mergulho. No meu mundo, o ritmo é bossa nova e os corpos balançam com o vento, um banquete. No meu mundo, os pés são descalços e os frutos são colhidos depois que plantados. No meu mundo, os sonhos não têm preço. No meu mundo, o sonho é a vida, e tudo é uma coisa só.